Ei, por telefone não... Não... Não fala nada. Te encontro no lugar de sempre, na mesma hora de sempre. Preciso fazer uma coisa antes.
TELEFONE NO GANCHO.
UM SUSPIRO PESADO, QUASE UMA FALTA DE AR.
DISTÂNCIA DO ORELHÃO.
UMA OLHADA PARA A DIREITA, UMA OLHADA PARA A ESQUERDA.
A MÃO ESTENDIDA FAZENDO SINAL PARA O TÁXI.
Pra onde, senhor?
A MÃO APENAS APONTA PARA O CONVENTO DA PENHA.
DA RETA DA PENHA É O QUE MELHOR SE PODE VER.
Convento? Hum...
SEMÁFOROS, PONTE, PEDÁGIO, CURVAS, RETAS, SUBIDA.
Pode parar aqui. Quanto foi?... Vinte e cinco reais?... Tá, pode ficar com o troco.
BATIDA DE PORTA.
PASSOS APRESSADOS.
DEGRAUS E MAIS DEGRAUS.
OLHO NO RELÓGIO.
A MISSA DEMORA.
TODOS SE VÃO.
CONFESSIONÁRIO.
Dessa vez não vai ter jeito, padre. Não vou conseguir escapar. Dessa vez não vai ter jeito. Tenho até medo de falar, de alguém ouvir. Nem sei se fui seguido... Não. Tá, eu falo. Fui eu que roubei as moedinhas do altar... Como assim, perdoado? Não. Pode parar. Então eu venho aqui todo domingo, há mais de três meses, levo toda a doação dos fiés da missa das onze, volto toda segunda pra falar que fui eu que roubei e o senhor fala que eu estou perdoado.? Tenha a santa paciência... Pelo amor de Deus... é por isso que a coisa tá desse jeito... O cara rouba, confessa um crime e não leva nem um sermão... Que saudade da inquisição.
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